Quarta, 20 de setembro de 201720/9/2017
Céu limpo
15º
17º
31º
Chapeco - SC
dólar R$ 3,13
euro R$ 3,76
Casa Chapecó
SAÚDE
Os avanços para prevenir a desnutrição hospitalar são temas de Congresso em Chapecó
.
Izaque Corvalan Chapeco - SC
Postada em 21/08/2017 ás 10h55
Os avanços para prevenir a desnutrição hospitalar são temas de Congresso em Chapecó

Dr. João Baroncello, Dr. Edson Stakonski e Dra. Carolina Ponzi, durante a abertura do evento (Foto e informações: MB)

A desnutrição hospitalar – problema que manifesta-se mundialmente, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento – foi tema amplamente discutido, durante o VII Congresso de Terapia Nutricional e o III Congresso de Terapia Intensiva, nessa sexta e sábado, dias 18 e 19, no Lang Palace Hotel, em Chapecó. O evento, promovido pela Unimed Chapecó, reuniu médicos, nutricionistas, farmacêuticos, fonoaudiólogos, enfermeiros, estudantes e outros profissionais da saúde.


A abertura do congresso contou com explanação do diretor técnico do Hospital, Dr. Edson Stakonski, da diretora hospitalar, Dra. Carolina Ponzi, e do coordenador da equipe multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN) do Hospital Unimed Chapecó Dr. João Baroncello, que destacaram a importância da iniciativa e homenagearam os palestrantes com a entrega de uma camiseta da Associação Chapecoense de Futebol.


Dr. Baroncello apresentou alguns dados que demonstram a relevância de promover eventos que visem debater as inovações e aprofundar conhecimentos sobre o cuidado ao paciente crítico entre os profissionais da saúde. Explicou que desnutrição está associada ao aumento da mortalidade hospitalar e que o paciente desnutrido tem alta taxa de infecção, a cicatrização das feridas demora mais e ele fica hospitalizado por mais tempo. Além disso, os custos com cuidados em saúde dos pacientes desnutridos foram 300% maiores que os pacientes bem nutridos durante a hospitalização.  


Destacou, ainda, que segundo o Icnquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional, aproximadamente 48% dos indivíduos hospitalizados em estabelecimentos públicos de saúde apresentam algum tipo de desnutrição, sendo 12% diagnosticados como desnutridos graves.


A programação incluiu a participação de renomados palestrantes que  aprofundaram vários temas com foto para a desnutrição hospitalar. Ao abordar as “Metas nutricionais no paciente crítico”, o médico da Unidade de Terapia Intensiva e da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, Dr. Ivens Augusto, salientou que a discussão do assunto é essencial especificamente porque diz respeito à terapia nutricional no paciente grave que, devido à síndrome da resposta inflamatória sistêmica, tem como resultado muita perda de massa muscular. 


            Explicou que o objetivo não é discutir somente o número de complicações infecciosas, mas sim como o paciente está sendo devolvido para a sociedade e o impacto que isso traz na sua qualidade de vida pós-alta hospitalar. “Quando realizamos uma terapia nutricional precisa, buscamos a mudança desse desfecho que é melhorar sua capacidade nutricional após alta e, consequentemente, a sua qualidade de vida”.


De acordo com Dr. Augusto, alguns estudos publicados, recentemente,  em revistas de alto impacto na comunidade médica são  bastante controversos sobre a quantidade de calorias e proteínas que devem ser indicadas ao paciente crítico. “O que observamos é que se dermos muito pouco ou em excesso pode impactar. É necessário precisão para identificar o momento ideal dentro da doença crítica, visando atingir a meta e saber qual o objetivo de cada fase”, enfatizou.


A nutricionista da Angioclínica de Florianópolis, especializada em Terapia Nutricional Parenteral e Enteral, Maria Emília de Souza Fabre, falou sobre a “Desnutrição Hospitalar no paciente oncológico: de quem é a culpa?”. Após demonstrar alguns estudos que confirmam a elevada prevalência da desnutrição, destacou que o desenvolvimento de um processo contínuo de melhorias é necessário para reduzir o índice da desnutrição entre eles, conhecer a realidade, fazer monitoramento, detectar falhas e intervir.


Também apontou os resultados de aproximadamente seis anos do Nutri Dia Brasil – ação realizada em único dia, visando questionar pacientes de diferentes unidades sobre sua história nutricional, documentá-la  e  questionar a instituição sobre os objetivos e cuidados nutricionais reais. Segundo ela, participaram 5.581 pacientes de 265 unidades hospitalares de2009 a 2015.


Entre os resultados, destacaram-se o fato de 58% dos pacientes relatarem perda de peso recente e da ingestão alimentar abaixo do normal durante a internação ser apontada como uma das principais causas da perda de peso. Sobre os motivos, a maioria relatou não estar com fome (58%),  náuseas/vômitos (17%), não gostar do paladar (9,9%), deglutição/mastigação (7%), exame/cirurgia (9,2%) e o fato de não ter sido permitido comer (3,4%).


Segundo Maria Emilia, quase 25% das causas de desnutrição hospitalar são tratáveis. “Para reduzi-la é necessário ser proativo e adotar algumas medidas como: triagem e avaliação nutricional precoce, monitoramento, comprometimento da equipe, orientação da Terapia Nutricional, bem como revisão e flexibilização das rotinas do Serviço de Nutrição e Dietética”, concluiu.


Outra palestra foi ministrada pelo médico doutor em Pneumologia e colaborador do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Dr. Gustavo Janot de Matos, que explanou sobre o “Cuidado multidisciplinar na prevenção de Pneumonia Associada à Ventilação (PAV)”. Segundo o palestrante, a abordagem do tema é importante porque tem impacto em custos e em prognóstico, pois a enfermidade pode ser evitada quando são utilizados os protocolos adequados. “Cuidados simples de higiene das mãos, uso racional de antibióticos, estratégias que usem menor sedação e cabeceira da cama elevada em aproximadamente 35 graus são alguns dos cuidados essenciais para prevenir complicações, melhorar o desfecho e minimizar custos”. 


Dr. Gustavo observou que a partir de 2000 houve uma evolução expressiva nas ações para padronização de atendimento. Vários movimentos mundiais contribuem para que os avanços aconteçam, entre eles, está o  Instituto de Melhorias de Cuidados de Saúde (IHI), sediado nos Estados Unidos e que promove ações no mundo todo visando melhorar o desfecho dos pacientes. 


A programação também contou com palestras dos seguintes profissionais: nutricionista Camila Prim, farmacêutica Ana Paula de Souza, fonoaudióloga Márcia Grassi Santana e da nutricionista Mélissa Cortês da Rosa. O cronograma também incluiu mesa redonda disciplinar sobre o tema “Preparo do paciente para a alta hospitalar: um cuidado multidisciplinar!”.


O evento contou com os seguintes patrocinadores: Nutrimedical, Nestlé, Nutrir, Danone, Openbox, Pfhizer, Cirúrgia Climaza e Associação Chapecoense de Futebol.

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários
© Copyright 2017 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium